Idosos

O velho que se faz novo

 

O aumento da expectativa de vida e o envelhecimento da população requerem o retorno dos idosos à atividade produtiva. Precisamos começar a pensar, discutir e propor soluções para isso

ROBERTO FREIRE

Foi-se o tempo de um Brasil considerado o país do futuro, quando sua população era majoritariamente formada por jovens.

As pirâmides etárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram isso claramente: até 1980, a situação demográfica brasileira se caracterizava por uma pirâmide regular. A base era bem mais larga em relação ao seu corpo e topo, evidenciando um contingente de jovens muito superior, em constraste com os poucos idosos.

Ao longo dos anos 1990 e 2000, com o cada vez mas intenso processo de urbanização do país, essa realidade foi mudando e acompanhando o processo de emergentes, como México, Rússia e África do Sul ou mesmo dos países desenvolvidos. Isto é, a base da pirâmide passa a encolher e a ponta, a crescer, de maneira que o censo de 2010 mostra um gráfico que começa a parecer cada vez menos com a figura geométrica que o batizou: a parte superior se encorpa devido ao processo de envelhecimento cada vez maior de sua população. É o resultado da diminuição da taxa de natalidade e aumento da expectativa de vida graças aos avanços da ciência.

Ora, essa realidade exige que pensemos iniciativas que vão muito além da necessária reforma da Previdência, uma vez que esse processo de envelhecimento da população torna o atual modelo insustentável. É inviável um sistema de aposentadoria com uma pirâmide invertida: existem cálculos em que, mantida a tendência atual, 100 trabalhadores sustentarão 63 aposentados em 2060. Hoje em dia, para 100 integrantes da população economicamente ativa, há 21 idosos em situação de dependência por aposentadoria.

Quais, seriam, por exemplo, as medidas que podemos tomar para absorver esse contingente cada vez maior de pessoas que possuem significativa bagagem de experiência, estão vivendo por mais tempo e se mantêm em considerável nível de atividade?

De que forma o país poderá aproveitar essas largas experiências, de vida e profissional, para somar ao desenvolvimento econômico e social do país?

Os países desenvolvidos, que possuem mais idosos, já descobriram o potencial econômico que significa o acesso a essa força de trabalho e sua qualificação, tendo criado várias políticas de incentivo do retorno à atividade produtiva desses idosos e aposentados.

No Brasil, precisamos começar a pensar, discutir e propor soluções para essa situação.

Já parte desse contigente – sou um jovem em idade avançada –, gostaria de propor esse debate e fazer um convite para que os idosos do presente, juntamente com a sociedade cidadã, comecemos a construir com responsabilidade, consciência e sabedoria as bases para os idosos de um futuro que já se faz presente.